4 de junho de 2018

E se um electrocardiograma conseguir identificar pessoas ou revelar emoções?

E se um electrocardiograma conseguir identificar pessoas ou revelar emoções?
Sim é verdade, através de um simples eletrocardiograma (ECG) já é possível descobrir não só a quem pertence o respectivo coração como ainda as emoções sentidas durante o registo. A revelação é de uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) cujo trabalho pretende dar um importante auxílio no diagnóstico e tratamento de distúrbios mentais. O estudo promete ainda dar uma ajuda nas perícias criminais na hora de interrogar suspeitos e testemunhas. 

“O ECG é o sinal eléctrico emitido pelo nosso coração. Este sinal contém informação muito variada, desde a informação clínica consultada pelo médico para inferir o estado do nosso coração, até informação individual, como é o caso dos padrões de resposta a estímulos emocionais”, explica Susana Brás, investigadora do Instituto de Engenharia Electrónica e Informática de Aveiro (IEETA) da UA e coordenadora do trabalho. 
E se um electrocardiograma conseguir identificar pessoas ou revelar emoções?

Assim, aponta, “os registos de ECG de diferentes pessoas contêm informação semelhante, sendo essa informação a que é analisada e extraída pelo médico, de forma a avaliar a nossa condição de saúde”. Contudo, “o nosso coração é único e, por conseguinte, tem informação individual, imprimindo uma chave unívoca no ECG e permitindo, desse modo, que a pessoa seja identificada”.

No que às emoções diz respeito, “estas desempenham uma importante função de coordenação com o nosso meio ambiente, mobilizando o organismo para um conjunto de acções sincronizadas que visam promover funções adaptativas como fugir de uma situação de perigo, no caso da emoção de medo”. Entre estas acções, destacam-se as biológicas que, entre outras manifestações, “se reflectem no traçado do ECG, o que permite então a identificação da emoção experienciada pela pessoa”, desvenda Susana Brás.

E se até agora já existiam estudos sobre identificação biométrica usando ECG e outros que o usavam para identificar emoções, o trabalho da UA, pela primeira vez, apresenta um método capaz de identificar ambas as situações – a pessoa e a sua emoção – ao mesmo tempo.
E se um electrocardiograma conseguir identificar pessoas ou revelar emoções?

Computação Afetiva ao serviço das pessoas

“O método usado neste trabalho compara registos, isto é, tendo uma base de dados com vários registos, quando recebe um novo registo de ECG compara-o com os que conhece da base de dados. A identificação da pessoa e da emoção tem como base a maior medida de semelhança”, aponta a investigadora.

Sabendo que o ECG é um sinal rico em informação sobre a pessoa e sobre o que esta está a sentir, este poderá ser usado na adaptação de sistemas, tais como casas, aplicações de software ou pontos de acesso. Nestes casos, aponta Susana Brás, “a ideia será adaptar o sistema às necessidades de cada um”. Imagine-se que a pessoa está triste ou cansada. Nestes casos, por exemplo, o sistema poderá adaptar-se de forma a ajudá-la a reverter essas situações ligando uma música calma ou aconselhando um filme alegre. 
E se um electrocardiograma conseguir identificar pessoas ou revelar emoções?

Por outro lado, esta informação poderá ser usada em perícias criminais, para avaliar, por exemplo, o estado emocional de testemunhas e suspeitos, assim como auxiliar no diagnóstico e avaliação da eficácia da terapêutica na intervenção psicológica. 

Este trabalho surge da colaboração entre duas unidades orgânicas da UA, o Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática e o Departamento de Educação e Psicologia, e das unidades de investigação IEETA e Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS). 

Assinado também por Jacqueline Ferreira, Sandra Soares e Armando Pinho, a investigação correspondendo a um de vários trabalhos interdisciplinares, nesta universidade, entre a Engenharia Informática e a Psicologia na área da Computação Afetiva. 
Os investigadores Sandra Soares, Susana Brás, Armando Pinho e Jacqueline Ferreira

“É uma nova área de investigação dentro das Ciências de Computadores, que visa estudar a pessoa como o centro de qualquer sistema. Sendo assim o sistema será desenvolvido de acordo com as necessidades da pessoa, tornando-o mais apelativo. Neste contexto podemos ter sistemas desenvolvidos com os mais diversos objetivos”, aponta Susana Brás.

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3 comentários:

  1. Olá, pode deixar seu comentário... se lembre que a informação neste post é apenas para aumentar seu conhecimento sobre o tema... não deixe de procurar seu médico... muito obrigado... :)

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  2. Boa noite! Corrimento branco pode atrapalhar o efeito da pílula? Obrigada!

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    1. Olá, não interfere, mas deve conferir com seu médico para ele avaliar... pode estar com infecção... ando por aqui... :)

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Carlos Edgar

O Carlos Edgar é reconhecido como uma das maiores referências profissionais na Internet na área da contracepção e anticoncepcionais. Autor, de alguns livros e alguns estudos na área da contracepção, com mais de 15 anos de experiência, e que ajuda anualmente mais de 20.000 mulheres com suas dúvidas. Frequenta todos os anos algumas formações para se manter actualizado e ajudar todas as leitoras. Para entrar em contacto com Carlos Edgar, visite a página de contacto. Para informações sobre o Carlos, clique aqui.